domingo, 16 de março de 2014

A Geração Canguru.

O carioca Guilherme Fortins, 30, diz que nunca pensou em sair de casa para morar sozinho. "Só se for para casar ou mudar de cidade", afirmou ele, que trabalha em uma agência de marketing esportivo. O relato de Fortins é retrato de uma tendência nacional, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (29).

Há cada vez mais jovens de 25 a 34 anos, a chamada "geração canguru", morando com os pais. Em dez anos, houve aumento de quase quatro pontos percentuais --de 20,5% para 24,3% entre 2002 e 2012. Desses, 60% são homens.

A "Síntese de Indicadores Sociais", levantamento baseado em números da Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), revela que os jovens que moram com os pais --independentemente da motivação, isto é, o estudo não avalia porque esses jovens não saíram de casa-- possuem maior escolaridade média em relação aos demais.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Saboia, esse dado indica que opção de viver na casa dos pais pode estar ligada à "maior dedicação aos estudos". Na "geração canguru", a proporção de jovens que estavam na condição de filhos e que continuavam estudando foi de 14%, enquanto para os demais indivíduos de 25 a 34 anos foi de 9%.

ESCOLHA VOLUNTÁRIA

A decisão de morar com os pais pode se basear em justificativas e explicações diversas que envolvem desde questões financeiras (desemprego, custo habitacional), às questões psicológicas (comodismo) e mesmo sociodemográficas, envolvendo diferentes graus de dependência econômica e familiar. Porém, a questão central que recai sobre essa nova 'geração' é que a opção de morar com os pais é feita de forma voluntária, considerando que a maioria possui condições econômicas de se sustentarem e seguirem com 'suas próprias pernas'
Trecho do artigo "A geração canguru no Brasil", de Ana Lúcia Saboia e Bárbara Cobo
Para Fortins, o único ponto negativo no fato de ainda morar com os pais é a questão da privacidade. "Existe sempre um incômodo. Não é a sua casa e você não pode fazer o que você quiser", disse. No entanto, o jovem acredita que teria uma queda em seu padrão vida caso saísse de casa.
"Há uma mistura de coisas. Tanto o apego com os pais, o costume de já tê-los ali perto de mim, como também a questão do padrão de vida. Sozinho, você vai ter menos dinheiro para sair, para gastar com uma namorada ou com quem quer que seja. Não é apenas virar e falar: "Cansei daqui". Como se eu estivesse trocando de roupa. Isso tem que ser uma coisa pensada porque envolve um compromisso mais sério", argumentou.
"Além disso, tem a questão do preço dos imóveis. Atualmente, eu não vou achar preços acessíveis no bairro onde eu moro [na Tijuca, na zona norte da cidade]. Não vou conseguir um lugar para alugar por menos de R$ 1.500. Dentro de casa você vai ter que bancar tudo e o seu padrão acaba mudando. Às vezes vale mais a pena você manter o padrão e ficar na casa dos pais", completou.
O jovem contou ainda que a maioria de seus amigos se encontra na mesma situação, e que nunca houve por parte de sua família qualquer tipo de pressão para que ele saísse de casa.
"Nunca aconteceu comigo, mas já ocorreu de um amigo meu ter que lidar com brincadeiras da mãe dele, que era aposentada e queria curtir a vida. Ela dizia que ele seria expulso de casa quando se formasse, e o pressionava a casar logo. Mas se formou, não casou e continua lá", disse.
A Pnad é uma pesquisa feita anualmente pelo IBGE, exceto nos anos em que há Censo. No ano passado, a pesquisa foi realizada em 147 mil domicílios, e 363 mil pessoas foram entrevistadas. Há margem de erro, mas ela varia de acordo com o tamanho da amostra para cada dado pesquisado.
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Pnad 2012 mostra o Brasil em números22 fotos

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O contingente de pessoas de 15 anos ou mais de idade (população em idade ativa) foi estimado em 151,9 milhões em 2012. Cerca de 100,1 milhões compunham a força de trabalho (população economicamente ativa), assim, a taxa de atividade, indicador que mede a proporção de pessoas em idade ativa que estavam na força de trabalho, foi de 65,9%. Em 2011, a taxa havia sido de 66,2% Folhapress/UOL

Empregados e escolarizados

As taxas de inserção no mercado de trabalho das pessoas de 25 a 34 anos que ainda não saíram de casa foram consideradas altas pelos pesquisadores do IBGE --o índice nacional foi de 91,4%, com destaque para a região Sul--, embora "um pouco inferiores àquelas observadas para os demais jovens" (94,5% no país).
Os jovens da "geração canguru" também se destacam pela maior escolaridade. O grupo tem uma média de anos de estudo de 10,8, enquanto a média dos demais jovens foi de 9,6 anos. O destaque é a região Sudeste, onde os jovens que ainda moram com os pais estudam, em média, 11,4 anos.

RELEMBRE DADOS DA PNAD 2012

  • Arte/UOL
  • Arte/UOL Máquina de lavar e computador ganham mais espaço na casa do brasileiro; clique na imagem
O estudo mostra ainda ser mais comum encontrar "cangurus" nas famílias que têm rendimentos mais altos, em especial nas que ganham de dois a cinco salários mínimos (15,3% delas possuem jovens de 25 a 34 anos na condição de filhos) e mais de cinco salários mínimos (14,7%).
Já nas famílias cujo rendimento per capita se dá até meio salário mínimo, a presença de "cangurus" é baixa: 6,6%. Considerando o total de famílias, cerca de 11,5% possuíam filhos na faixa etária de 25 a 34 anos.

Cangurus por região

A maior incidência de jovens na faixa etária de 25 a 34 anos que continuam morando com os pais ocorre na região Sudeste (26,7%), onde houve crescimento de 3,6 pontos percentuais em relação a 2002.
Já o Nordeste tem 24,3%, enquanto o Norte apresenta o menor índice (18,5%). As regiões Sul e Centro-Oeste registraram taxas de 22,5% e 20,6%, respectivamente.
A variação mais significativa ocorreu entre os jovens sulistas, região que, em 2002, abrangia 17,3% da "geração canguru". Dez anos depois, esse índice foi de 22,5% --aumento de 5,2 pontos percentuais.

30,2% dos idosos vivem com os filhos

A "Síntese de Indicadores Sociais" também mostra ser mais comum encontrar idosos morando com os filhos acima de 25 anos --com ou sem presença de outro parente ou pessoa agregada.

Arranjo domiciliar de pessoas com 60 anos ou mais

Sozinho 14,8%
Casal sem filhos 25,7%
Sem filhos e com outros 11%
Com filhos menores de 25 anos 10,6%
Com filhos de 25 anos ou mais 30,2%
Outros 7,8%
  • Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2012
A proporção constatada pelo IBGE foi de 30,2%, enquanto o índice de pessoas de 65 anos ou mais que moravam com filhos menores de 25 anos foi de 10,6%.
Entre os idosos que moravam sozinho, por exemplo, a proporção foi de apenas 14,8%; já os idosos casados e sem filhos, 25,7%; isto é, uma em cada quatro pessoas.
Na análise territorial, as maiores concentrações de idosos morando com filhos de 25 anos ou mais estavam nas regiões Sudeste e Nordeste, ambas com proporção de 31,9%. Por outro lado, a região Sul concentrou a maior proporção de pessoas de 65 anos ou mais morando sozinhas: 18,1%.

O amor é uma construção social...

...Isso significa que você aprende a amar - e a sofrer por amor - com a cultura. "Cada um de nós é tomado por um sentimento de falta, de desamparo, desde que deixa o útero", diz Regina. Aprendemos a esperar que o amor romântico supra essa deficiência, proporcionando prazer, aconchego e segurança. Esse amor não é apenas uma forma de sentimento, mas um modo de ser, um conjunto de ideias, crenças, expectativas e atitudes culturalmente aprendidas ao longo da vida.

A idealização do outro, a expectativa de completude na relação, a opção pela monogamia, tudo isso seria resultado de um processo histórico, que teria começado na Europa do século 12, com a lenda do amor trágico entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Eis a inspiração de Shakespeare para o clássico Romeu e Julieta. E de tantos outros escritores, dramaturgos e roteiristas até os dias de hoje.


A biologia explica
No século 19, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer enxergava o amor como uma estratégia da natureza para nos levar a ter uma porção de filhos. Chamava isso de "impulso de vida". Você pensa que é tomado por um sentimento elevado, nobre, mas talvez esteja apenas expressando uma necessidade ancestral de perpetuar a espécie. O que se procura é alguém com quem se possa ter um filho geneticamente favorecido. E esses impulsos permaneceriam em toda a espécie, mesmo que você seja gay ou estéril.

Da geração anterior à do evolucionista Charles Darwin e cerca de 60 anos antes da psicanálise de Sigmund Freud, Schopenhauer foi o primeiro a apontar motivações biológicas e inconscientes para o que chamamos de amor. "São explicações talvez não muito agradáveis sobre os motivos que nos levam a nos apaixonar, mas pode haver um consolo para a rejeição: saber que nosso sofrimento é normal", afirma o filósofo suíço Alain de Botton em As Consolações da Filosofia" (Editora Rocco).

"O amor não poderia nos induzir a carregar o fardo da multiplicação da espécie sem nos prometer toda a felicidade que pudéssemos imaginar", prossegue. Para Botton, devemos respeitar essa lei da natureza que ocasionalmente nos leva à rejeição, da mesma forma que respeitamos um relâmpago ou a erupção de um vulcão. São eventos mais fortes que nós. Nas palavras do filósofo Schopenhauer, "o que nos perturba e provoca sofrimento nos anos de juventude é a busca obsessiva da felicidade com a firme suposição de que ela deve ser encontrada na vida". A partir dessa crença, surge uma esperança que nasce e morre a cada instante. Isso faz, por exemplo, com que você se sinta derrotado quando um amor não dá certo. Pode ser de algum modo reconfortante compreender, então, que a felicidade nunca foi prioridade desta natureza da qual fazemos parte e que impulsiona o amor.

De todo modo, essa confusão não é casual. Para Freud, o amor sexual proporciona as mais fortes vivências de satisfação e, por isso, funciona como um protótipo de toda felicidade. Depois de experimentar essa sensação uma vez, é natural que você a persiga sempre. Por isso, o amor ocupa o centro da vida de tanta gente. "O indivíduo se torna dependente, de maneira preocupante, de uma parte do mundo exterior", afirma o psicanalista em sua obra O Mal-Estar na Civilização (Editora Penguin & Companhia das Letras). Essa parte exterior, exterior a você, é a pessoa amada.

"Nunca estamos mais desprotegidos ante o sofrimento do que quando amamos, nunca mais desamparadamente infelizes do que quando perdemos o objeto amado ou seu amor." Por isso, prossegue o austríaco Sigmund Freud, o criador da psicanálise, "os sábios de todas as épocas desaconselham enfaticamente esse caminho (o do amor romântico) - não obstante, ele jamais deixou de atrair um grande número de seres humanos".

Esteja ciente
Se vamos seguir o caminho desaconselhado, ao menos que o façamos de sobreaviso. Quando o amor não é correspondido ou mesmo quando acaba, o melhor caminho é desconstruir a idealização do outro e da relação, conforme recomenda Ailton Amélio, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro Relacionamento Amoroso (Publifolha). "Uma pessoa apaixonada tende a exagerar - um jeito simples de perceber isso é submeter a pessoa amada à avaliação dos seus amigos", afirma. Eles saberão enxergar melhor defeitinhos - ou defeitões - que você talvez não veja.



O senso comum nos recomendaria também um período de afastamento. Para a psicoterapeuta paulista Miriam Barros, isso faz sentido realmente, mas algumas pessoas podem precisar de novos encontros e conversas para digerir o término. "É preciso desabafar, chorar, esvaziar o sentimento", diz ela. Depois disso, sim: um retiro pode ser oportuno. "Acompanhar a vida do outro por meio de amigos em comum ou mesmo pelas redes sociais é uma forma de se retraumatizar", adverte Miriam Barros.

Mas por que tanta gente faz isso? Por que tantas músicas e filmes de amor nos estimulam a curtir a fossa? Na opinião da psicóloga e psicodramatista Cecília Zylberstajn, esse apego ao sofrimento amoroso é uma forma de se manter ligado ao outro, ainda que unilateralmente. "Assim, você se torna uma eterna viúva, usando preto para sempre", acredita Cecília.

Para ela, o fundamental nessa etapa é viver a realidade. "Muita gente se surpreende com os japoneses, pela velocidade com que reconstruíram as áreas devastadas pelo tsunami", diz. A verdade é que eles não perderam muito tempo remoendo o passado, saudosistas. "Com o amor é a mesma coisa: é preciso aceitar a realidade dos acontecimentos para lidar com eles."

Você não usará preto para sempre, mas o luto é mesmo necessário. Respeite suas necessidades, portanto. Alguns dias serão melhores que outros. "Conhece a expressão bad hair day?", provoca Cecília, referindo-se àqueles dias em que os cabelos "acordam" completamente indomáveis. "O mesmo vale para as emoções." Haverá dias em que será mais difícil "pentear" sua frustração. Aceitar isso ajuda a chegar ao próximo.

Outra medida é de ordem prática, como explica a psicoterapeuta Miriam Barros. O vazio deixado pelo ex no espaço da cama tem um cor:respondente no espaço de tempo do fim de semana. "Você precisa se programar para ocupar o tempo livre e preencher a agenda com atividades e companhias estimulantes", aconselha.

Também ajuda regular sua perspectiva. Uma relação amorosa bem-sucedida traz consigo as vantagens da companhia e do sexo. Por outro lado, uma relação problemática pode potencializar suas neuroses. Por vezes, casais se mantêm juntos não exatamente pelos benefícios citados algumas linhas acima, mas porque seus defeitos são complementares. É o que se chama de codependência. O fim desse tipo de relação é, portanto, uma oportunidade de libertação e crescimento pessoal.

Como se vê, recuperar-se de uma rejeição amorosa requer mudanças comportamentais e psicológicas. E faz parte desse processo compreender os mecanismos biológicos e culturais que levaram você até essa decepção. É a vida, não é pessoal.

fonte:http://vidasimples.abril.com.br/temas/como-se-desapaixonar-738295.shtml?utm_source=redesabril_vidasimples&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_vidasimples_site