domingo, 16 de março de 2014

A Geração Canguru.

O carioca Guilherme Fortins, 30, diz que nunca pensou em sair de casa para morar sozinho. "Só se for para casar ou mudar de cidade", afirmou ele, que trabalha em uma agência de marketing esportivo. O relato de Fortins é retrato de uma tendência nacional, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (29).

Há cada vez mais jovens de 25 a 34 anos, a chamada "geração canguru", morando com os pais. Em dez anos, houve aumento de quase quatro pontos percentuais --de 20,5% para 24,3% entre 2002 e 2012. Desses, 60% são homens.

A "Síntese de Indicadores Sociais", levantamento baseado em números da Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), revela que os jovens que moram com os pais --independentemente da motivação, isto é, o estudo não avalia porque esses jovens não saíram de casa-- possuem maior escolaridade média em relação aos demais.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Saboia, esse dado indica que opção de viver na casa dos pais pode estar ligada à "maior dedicação aos estudos". Na "geração canguru", a proporção de jovens que estavam na condição de filhos e que continuavam estudando foi de 14%, enquanto para os demais indivíduos de 25 a 34 anos foi de 9%.

ESCOLHA VOLUNTÁRIA

A decisão de morar com os pais pode se basear em justificativas e explicações diversas que envolvem desde questões financeiras (desemprego, custo habitacional), às questões psicológicas (comodismo) e mesmo sociodemográficas, envolvendo diferentes graus de dependência econômica e familiar. Porém, a questão central que recai sobre essa nova 'geração' é que a opção de morar com os pais é feita de forma voluntária, considerando que a maioria possui condições econômicas de se sustentarem e seguirem com 'suas próprias pernas'
Trecho do artigo "A geração canguru no Brasil", de Ana Lúcia Saboia e Bárbara Cobo
Para Fortins, o único ponto negativo no fato de ainda morar com os pais é a questão da privacidade. "Existe sempre um incômodo. Não é a sua casa e você não pode fazer o que você quiser", disse. No entanto, o jovem acredita que teria uma queda em seu padrão vida caso saísse de casa.
"Há uma mistura de coisas. Tanto o apego com os pais, o costume de já tê-los ali perto de mim, como também a questão do padrão de vida. Sozinho, você vai ter menos dinheiro para sair, para gastar com uma namorada ou com quem quer que seja. Não é apenas virar e falar: "Cansei daqui". Como se eu estivesse trocando de roupa. Isso tem que ser uma coisa pensada porque envolve um compromisso mais sério", argumentou.
"Além disso, tem a questão do preço dos imóveis. Atualmente, eu não vou achar preços acessíveis no bairro onde eu moro [na Tijuca, na zona norte da cidade]. Não vou conseguir um lugar para alugar por menos de R$ 1.500. Dentro de casa você vai ter que bancar tudo e o seu padrão acaba mudando. Às vezes vale mais a pena você manter o padrão e ficar na casa dos pais", completou.
O jovem contou ainda que a maioria de seus amigos se encontra na mesma situação, e que nunca houve por parte de sua família qualquer tipo de pressão para que ele saísse de casa.
"Nunca aconteceu comigo, mas já ocorreu de um amigo meu ter que lidar com brincadeiras da mãe dele, que era aposentada e queria curtir a vida. Ela dizia que ele seria expulso de casa quando se formasse, e o pressionava a casar logo. Mas se formou, não casou e continua lá", disse.
A Pnad é uma pesquisa feita anualmente pelo IBGE, exceto nos anos em que há Censo. No ano passado, a pesquisa foi realizada em 147 mil domicílios, e 363 mil pessoas foram entrevistadas. Há margem de erro, mas ela varia de acordo com o tamanho da amostra para cada dado pesquisado.
Ampliar


Pnad 2012 mostra o Brasil em números22 fotos

5 / 22
O contingente de pessoas de 15 anos ou mais de idade (população em idade ativa) foi estimado em 151,9 milhões em 2012. Cerca de 100,1 milhões compunham a força de trabalho (população economicamente ativa), assim, a taxa de atividade, indicador que mede a proporção de pessoas em idade ativa que estavam na força de trabalho, foi de 65,9%. Em 2011, a taxa havia sido de 66,2% Folhapress/UOL

Empregados e escolarizados

As taxas de inserção no mercado de trabalho das pessoas de 25 a 34 anos que ainda não saíram de casa foram consideradas altas pelos pesquisadores do IBGE --o índice nacional foi de 91,4%, com destaque para a região Sul--, embora "um pouco inferiores àquelas observadas para os demais jovens" (94,5% no país).
Os jovens da "geração canguru" também se destacam pela maior escolaridade. O grupo tem uma média de anos de estudo de 10,8, enquanto a média dos demais jovens foi de 9,6 anos. O destaque é a região Sudeste, onde os jovens que ainda moram com os pais estudam, em média, 11,4 anos.

RELEMBRE DADOS DA PNAD 2012

  • Arte/UOL
  • Arte/UOL Máquina de lavar e computador ganham mais espaço na casa do brasileiro; clique na imagem
O estudo mostra ainda ser mais comum encontrar "cangurus" nas famílias que têm rendimentos mais altos, em especial nas que ganham de dois a cinco salários mínimos (15,3% delas possuem jovens de 25 a 34 anos na condição de filhos) e mais de cinco salários mínimos (14,7%).
Já nas famílias cujo rendimento per capita se dá até meio salário mínimo, a presença de "cangurus" é baixa: 6,6%. Considerando o total de famílias, cerca de 11,5% possuíam filhos na faixa etária de 25 a 34 anos.

Cangurus por região

A maior incidência de jovens na faixa etária de 25 a 34 anos que continuam morando com os pais ocorre na região Sudeste (26,7%), onde houve crescimento de 3,6 pontos percentuais em relação a 2002.
Já o Nordeste tem 24,3%, enquanto o Norte apresenta o menor índice (18,5%). As regiões Sul e Centro-Oeste registraram taxas de 22,5% e 20,6%, respectivamente.
A variação mais significativa ocorreu entre os jovens sulistas, região que, em 2002, abrangia 17,3% da "geração canguru". Dez anos depois, esse índice foi de 22,5% --aumento de 5,2 pontos percentuais.

30,2% dos idosos vivem com os filhos

A "Síntese de Indicadores Sociais" também mostra ser mais comum encontrar idosos morando com os filhos acima de 25 anos --com ou sem presença de outro parente ou pessoa agregada.

Arranjo domiciliar de pessoas com 60 anos ou mais

Sozinho 14,8%
Casal sem filhos 25,7%
Sem filhos e com outros 11%
Com filhos menores de 25 anos 10,6%
Com filhos de 25 anos ou mais 30,2%
Outros 7,8%
  • Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2012
A proporção constatada pelo IBGE foi de 30,2%, enquanto o índice de pessoas de 65 anos ou mais que moravam com filhos menores de 25 anos foi de 10,6%.
Entre os idosos que moravam sozinho, por exemplo, a proporção foi de apenas 14,8%; já os idosos casados e sem filhos, 25,7%; isto é, uma em cada quatro pessoas.
Na análise territorial, as maiores concentrações de idosos morando com filhos de 25 anos ou mais estavam nas regiões Sudeste e Nordeste, ambas com proporção de 31,9%. Por outro lado, a região Sul concentrou a maior proporção de pessoas de 65 anos ou mais morando sozinhas: 18,1%.

O amor é uma construção social...

...Isso significa que você aprende a amar - e a sofrer por amor - com a cultura. "Cada um de nós é tomado por um sentimento de falta, de desamparo, desde que deixa o útero", diz Regina. Aprendemos a esperar que o amor romântico supra essa deficiência, proporcionando prazer, aconchego e segurança. Esse amor não é apenas uma forma de sentimento, mas um modo de ser, um conjunto de ideias, crenças, expectativas e atitudes culturalmente aprendidas ao longo da vida.

A idealização do outro, a expectativa de completude na relação, a opção pela monogamia, tudo isso seria resultado de um processo histórico, que teria começado na Europa do século 12, com a lenda do amor trágico entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Eis a inspiração de Shakespeare para o clássico Romeu e Julieta. E de tantos outros escritores, dramaturgos e roteiristas até os dias de hoje.


A biologia explica
No século 19, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer enxergava o amor como uma estratégia da natureza para nos levar a ter uma porção de filhos. Chamava isso de "impulso de vida". Você pensa que é tomado por um sentimento elevado, nobre, mas talvez esteja apenas expressando uma necessidade ancestral de perpetuar a espécie. O que se procura é alguém com quem se possa ter um filho geneticamente favorecido. E esses impulsos permaneceriam em toda a espécie, mesmo que você seja gay ou estéril.

Da geração anterior à do evolucionista Charles Darwin e cerca de 60 anos antes da psicanálise de Sigmund Freud, Schopenhauer foi o primeiro a apontar motivações biológicas e inconscientes para o que chamamos de amor. "São explicações talvez não muito agradáveis sobre os motivos que nos levam a nos apaixonar, mas pode haver um consolo para a rejeição: saber que nosso sofrimento é normal", afirma o filósofo suíço Alain de Botton em As Consolações da Filosofia" (Editora Rocco).

"O amor não poderia nos induzir a carregar o fardo da multiplicação da espécie sem nos prometer toda a felicidade que pudéssemos imaginar", prossegue. Para Botton, devemos respeitar essa lei da natureza que ocasionalmente nos leva à rejeição, da mesma forma que respeitamos um relâmpago ou a erupção de um vulcão. São eventos mais fortes que nós. Nas palavras do filósofo Schopenhauer, "o que nos perturba e provoca sofrimento nos anos de juventude é a busca obsessiva da felicidade com a firme suposição de que ela deve ser encontrada na vida". A partir dessa crença, surge uma esperança que nasce e morre a cada instante. Isso faz, por exemplo, com que você se sinta derrotado quando um amor não dá certo. Pode ser de algum modo reconfortante compreender, então, que a felicidade nunca foi prioridade desta natureza da qual fazemos parte e que impulsiona o amor.

De todo modo, essa confusão não é casual. Para Freud, o amor sexual proporciona as mais fortes vivências de satisfação e, por isso, funciona como um protótipo de toda felicidade. Depois de experimentar essa sensação uma vez, é natural que você a persiga sempre. Por isso, o amor ocupa o centro da vida de tanta gente. "O indivíduo se torna dependente, de maneira preocupante, de uma parte do mundo exterior", afirma o psicanalista em sua obra O Mal-Estar na Civilização (Editora Penguin & Companhia das Letras). Essa parte exterior, exterior a você, é a pessoa amada.

"Nunca estamos mais desprotegidos ante o sofrimento do que quando amamos, nunca mais desamparadamente infelizes do que quando perdemos o objeto amado ou seu amor." Por isso, prossegue o austríaco Sigmund Freud, o criador da psicanálise, "os sábios de todas as épocas desaconselham enfaticamente esse caminho (o do amor romântico) - não obstante, ele jamais deixou de atrair um grande número de seres humanos".

Esteja ciente
Se vamos seguir o caminho desaconselhado, ao menos que o façamos de sobreaviso. Quando o amor não é correspondido ou mesmo quando acaba, o melhor caminho é desconstruir a idealização do outro e da relação, conforme recomenda Ailton Amélio, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro Relacionamento Amoroso (Publifolha). "Uma pessoa apaixonada tende a exagerar - um jeito simples de perceber isso é submeter a pessoa amada à avaliação dos seus amigos", afirma. Eles saberão enxergar melhor defeitinhos - ou defeitões - que você talvez não veja.



O senso comum nos recomendaria também um período de afastamento. Para a psicoterapeuta paulista Miriam Barros, isso faz sentido realmente, mas algumas pessoas podem precisar de novos encontros e conversas para digerir o término. "É preciso desabafar, chorar, esvaziar o sentimento", diz ela. Depois disso, sim: um retiro pode ser oportuno. "Acompanhar a vida do outro por meio de amigos em comum ou mesmo pelas redes sociais é uma forma de se retraumatizar", adverte Miriam Barros.

Mas por que tanta gente faz isso? Por que tantas músicas e filmes de amor nos estimulam a curtir a fossa? Na opinião da psicóloga e psicodramatista Cecília Zylberstajn, esse apego ao sofrimento amoroso é uma forma de se manter ligado ao outro, ainda que unilateralmente. "Assim, você se torna uma eterna viúva, usando preto para sempre", acredita Cecília.

Para ela, o fundamental nessa etapa é viver a realidade. "Muita gente se surpreende com os japoneses, pela velocidade com que reconstruíram as áreas devastadas pelo tsunami", diz. A verdade é que eles não perderam muito tempo remoendo o passado, saudosistas. "Com o amor é a mesma coisa: é preciso aceitar a realidade dos acontecimentos para lidar com eles."

Você não usará preto para sempre, mas o luto é mesmo necessário. Respeite suas necessidades, portanto. Alguns dias serão melhores que outros. "Conhece a expressão bad hair day?", provoca Cecília, referindo-se àqueles dias em que os cabelos "acordam" completamente indomáveis. "O mesmo vale para as emoções." Haverá dias em que será mais difícil "pentear" sua frustração. Aceitar isso ajuda a chegar ao próximo.

Outra medida é de ordem prática, como explica a psicoterapeuta Miriam Barros. O vazio deixado pelo ex no espaço da cama tem um cor:respondente no espaço de tempo do fim de semana. "Você precisa se programar para ocupar o tempo livre e preencher a agenda com atividades e companhias estimulantes", aconselha.

Também ajuda regular sua perspectiva. Uma relação amorosa bem-sucedida traz consigo as vantagens da companhia e do sexo. Por outro lado, uma relação problemática pode potencializar suas neuroses. Por vezes, casais se mantêm juntos não exatamente pelos benefícios citados algumas linhas acima, mas porque seus defeitos são complementares. É o que se chama de codependência. O fim desse tipo de relação é, portanto, uma oportunidade de libertação e crescimento pessoal.

Como se vê, recuperar-se de uma rejeição amorosa requer mudanças comportamentais e psicológicas. E faz parte desse processo compreender os mecanismos biológicos e culturais que levaram você até essa decepção. É a vida, não é pessoal.

fonte:http://vidasimples.abril.com.br/temas/como-se-desapaixonar-738295.shtml?utm_source=redesabril_vidasimples&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_vidasimples_site

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Antes que seja tarde...

Enfermeira revela os 5 maiores arrependimentos das pessoas em seus leitos de morte.

 

stihl-deathbed-scene[1]
Por muitos anos eu trabalhei em cuidados paliativos. Meus pacientes eram aqueles que tinham ido para casa para morrer. Algumas experiências incrivelmente especiais foram compartilhadas. Eu estava com eles nos últimas três a doze semanas de suas vidas. As pessoas crescem muito quando eles são confrontados com a sua própria mortalidade.
Eu aprendi a nunca subestimar a capacidade de alguém para o seu crescimento. Algumas mudanças foram fenomenais. Cada um experimentou uma variedade de emoções, como esperado, negação, medo, raiva, remorso, mais negação e, finalmente, aceitação. Cada paciente encontrou sua paz antes deles partirem, cada um deles.
Quando questionados sobre algum arrependimento que tiveram ou qualquer coisa que faria diferente, temas comuns vieram à tona. Aqui estão os cinco mais comuns:

1 . Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim.
Este foi o arrependimento mais comum de todos. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, é fácil ver como muitos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não tinham honrado nem metade dos seus sonhos e morreram sabendo que foi devido às escolhas que fizeram, ou não fizeram .
É muito importante tentar e honrar pelo menos alguns de seus sonhos ao longo do caminho. A partir do momento que você perde a sua saúde, é tarde demais. Saúde traz uma liberdade que muitos poucos percebem, até que já não a tem.

2 . Eu gostaria de não ter trabalhado tão duro.
Isto veio de cada paciente do sexo masculino que eu acompanhei. Eles perderam a juventude de seus filhos e o companheirismo dos parceiros. As mulheres também falaram sobre esse arrependimento. Mas, como a maioria eram de uma geração mais velha, muitos dos pacientes do sexo feminino não tinha sido as pessoas que sustentavam a casa. Todos os homens que companhei lamentaram profundamente gastar tanto de suas vidas na esteira de uma existência de trabalho.
Ao simplificar o seu estilo de vida e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, é possível não precisar da renda que você acha que precisa. E criando mais tempo livre em sua vida, você se torna mais feliz e mais aberto a novas oportunidades, aquelas mais adequados ao seu novo estilo de vida.

3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos .
Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos a fim de manter a paz com os outros. Como resultado, eles se estabeleceram por uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eram realmente capazes de se tornar. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que carregavam, como resultado disso.
Nós não podemos controlar as reações dos outros. No entanto, embora as pessoas possam, inicialmente, reagir quando você mudar a maneira que você está falando com honestidade, no final isso erguerá a relação à um nível totalmente novo e saudável. Ou isso ou ele libera o relacionamento doentio de sua vida. De qualquer maneira , você ganha.

4 . Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.
Muitas vezes eles não percebem verdadeiramente os benefícios de velhos amigos até estarem em seu leito de morte, e nem sempre foi possível re-encontrá-los nestes últimos momentos. Muitos haviam se tornado tão envolvidos em suas próprias vidas que tinham deixado amizades de ouro escaparem nos últimos anos. Haviam muitos arrependimentos profundos sobre não dar às amizades, o tempo e esforço que mereciam. Todo mundo sente falta de seus amigos quando estão morrendo.
É comum à qualquer um com um estilo de vida agitado, deixar amizades escorregarem, mas quando você se depara com a sua morte se aproximando, os detalhes físicos da vida caem. As pessoas querem colocar suas finanças em ordem, se possível. Mas não é dinheiro ou status que tem a verdadeira importância para eles. Eles querem arrumar as coisas para o benefício daqueles à quem amam. Normalmente, porém , eles estão muito doentes e cansados de gerir esta tarefa. E tudo se resume ao amor e relacionamentos no final. Isso é tudo o que resta nas semanas finais, amor e relacionamentos.

5. Eu gostaria que eu tivesse me deixado ser feliz.
Este é surpreendentemente comum. Muitos não percebem, até o fim de que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos em velhos padrões e hábitos. O chamado “conforto” da familiaridade transbordou em suas emoções, bem como as suas vidas físicas. O medo da mudança os fazia fingir para os outros e para si mesmos, que estavam satisfeitos. Quando lá no fundo, eles ansiavam em rir e serem bobos em sua vida novamente. Quando você está no seu leito de morte, o que os outros pensam de você é muito diferente do que está em sua mente. Como é maravilhoso ser capaz de relaxar e sorrir novamente, muito antes de você estar morrendo .
A vida é uma escolha. É a sua vida. Escolha conscientemente, escolha sabiamente, escolha honestamente. Escolha a felicidade.

Bronnie Ware
Bronnie Ware, enfermeira que durante anos cuidou de pacientes no leito de morte, escreveu o livro “The Top Five Regrets of the Dying – A Life Transformed by the Dearly Departing”, que, como o título diz, trata dos cinco arrependimentos mais comuns manifestados pelas pessoas antes de morrerem.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Você até pode ter milhares de amigos…

(E ainda assim é capaz de você nunca ter estado tão solitário...)

Quantos amigos você tem no seu Facebook? Quantos seguidores no Twitter, Instagram, Pinterest ou em qualquer outra rede social da qual você faz parte? Quantos contatos estão listados em sua agenda ou integram seu network no LinkedIn? É muito capaz que, somando tudo, você perceba que são centenas, até milhares de pessoas. Agora responda: quantas delas você conhece bem de verdade, tem um contato frequente – de preferência pessoalmente -, e pode dizer que realmente são próximas a você?
Se você já terminou de fazer as contas, há grandes chances deste número ter caído drasticamente, com poucos casos em que ele ultrapasse uma ou duas dezenas. É neste momento que percebemos um dos grandes paradoxos da nossa época: temos milhares de “amigos”, mas nunca estivemos tão solitários.
A forma como a tecnologia está presente em nossas vidas não chega a ser um assunto novo, mas será que realmente há razões para a gente se preocupar?
A ideia deste texto não é falar mal da internet, tecnologia e afins, nem tampouco criar um mi-mi-mi saudosista
Não é de hoje que existe um enorme debate sobre o que a internet está fazendo com os nossos cérebros, influenciando a maneira como criamos, aprendemos e raciocinamos. Mas se você parar para pensar um pouco, irá notar como a tecnologia de uma forma geral também está transformando a maneira como nos relacionamos uns com os outros.
Antes de mais nada, um aviso: a ideia deste texto não é falar mal da internet, tecnologia e afins, nem tampouco criar um mi-mi-mi saudosista para dizer que antigamente as coisas eram melhores. É mais uma proposta de reflexão sobre como utilizamos essas coisas em nosso dia a dia e quais os efeitos colaterais envolvidos neste processo.

Recentemente, o designer Shimi Cohen, de Tel Aviv, resolveu combinar as informações do livro Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other, de Sherry Turkle, e do artigo The Invention of Being Lonely, de Yair Amichai-Hamburger, em seu projeto de conclusão de curso na Shenkar College of Engineering and Design. O vídeo The Innovation of Loneliness mostra como a tecnologia está influenciando a maneira como as pessoas se relacionam umas com as outras e com elas mesmas, os reflexos psicológicos disso e porque precisamos ficar atentos.

ino1
Social por natureza, o ser humano pode até ir à loucura por conta da solidão. Por outro lado, passamos tanto tempo focados na carreira, em ganhar dinheiro, consumir e criar uma auto-imagem, que as redes sociais parecem ser a solução perfeita para “gerenciarmos” nossos relacionamentos de uma maneira muito mais eficiente.

É claro que a primeira coisa que a gente pensa é: mas afinal, o que há de errado com a eficiência? Todo mundo tem aqueles amigos que não vê com tanta frequência, parentes distantes, etc, mas ao menos pelas redes sociais consegue saber como é que estão, mandar uma mensagem no aniversário (que se não fosse pelo Facebook, ia acabar passando em branco), saber quem está solteiro, casado, separado…Mas será que isso é real ou estamos apenas substituindo relações por conexões?
“Estamos colecionando amigos como se fossem selos, não distinguindo a quantidade da qualidade, convertendo o significado profundo e a intimidade da amizade em trocas de fotos e conversas em chats”.
Enquanto uma conversa que acontece cara a cara e em tempo real é regida pelo inesperado, quando muitas vezes você acaba falando demais e sem pensar, um chat, e-mail, post ou SMS cria uma falsa sensação de segurança, de que estamos no controle da situação e podemos nos apresentar como queremos ser, em vez de como realmente somos.
É a história da auto-promoção, com pessoas cada vez mais obcecadas com a edição de perfis, escolha de fotos perfeitas e a obrigação de parecerem felizes o tempo inteiro, como se de fato isso fosse possível. “As redes sociais não estão mudando apenas o que fazemos, mas também quem somos”, destaca a narração de Cohen no vídeo.
As redes sociais não estão mudando apenas o que fazemos, mas também quem somos
Só que, ao meu ver, faltou dizer algo muito importante aí: que não importa o quanto alguém tente controlar ou editar uma ideia por meio de um post ou SMS, é impossível controlar o que o outro vai entender daquilo. Qualquer tipo de comunicação está sujeita à interpretações, que estão diretamente ligadas à formação e experiências do interlocutor. Isso tudo sem contar a possibilidade de ruídos. Em resumo, ninguém está realmente livre de confusões.

ino2

Fantasias gratificantes

Segundo The Innovation of Loneliness, as redes sociais nos oferecem três fantasias gratificantes: que podemos desviar a atenção para onde quiseremos, que sempre seremos ouvidos, e que nunca teremos de ficar sozinhos. É exatamente esta última que está formatando uma nova forma de ser, descrita como:
“Eu compartilho, logo existo.”
A tecnologia passa a ser uma ferramenta essencial para definir quem nós somos. E nós só podemos ser alguém se compartilhamos nossas ideias e sentimentos exatamente no momento em que os elaboramos. Isso significa que se eu não der um check-in naquele lugar incrível, postar uma foto daquela comida deliciosa ou tuítar o que achei do último filme do Woody Allen, é como se nenhuma daquelas experiências realmente tivessem existido.
Tudo isso me fez pensar em uma das experiências mais incríveis que já tive. Em uma peregrinação à Terra Santa – no meu caso, Liverpool – tive a oportunidade de fazer um tour que permite que os participantes entrem nas casas onde John Lennon e Paul McCartney passaram a infância. Só que, por questões de direitos de uso de imagem, é proibido fotografar o interior delas. Para garantir que ninguém vai tentar burlar a regra, temos de entregar máquinas fotográficas e celulares na entrada, que são trancados em um quartinho. Feito isso, você fica livre para circular pelos ambientes, por alguns minutos.
Talvez se ainda estivesse vivo nos dias de hoje, Lennon diria que a vida é o que acontece enquanto estamos ocupados compartilhando
Agora, imagine você andar livremente pelas casas onde viveram seus ídolos, sem se preocupar em dar check-in, fotografar ou tuítar (que é claro que eu fiz tudo isso, só que do lado de fora), e poder simplesmente curtir o momento. Ouvir histórias, descobrir algo que você não sabia, absorver detalhes e vivenciar uma experiência que vai te marcar pela vida, mas que ficará apenas na sua memória.
Isso me fez refletir sobre como sentimos uma urgência em registrar tudo artificialmente, como se nossas lembranças não fossem o suficiente, como se uma fotografia fosse capaz de realmente captar a emoção de um momento e olhar para ela fizesse a gente revivê-lo. Mas, qual a emoção que você cultiva quando você está distraído demais fazendo uma foto, dando uma check-in ou postando algo?
Em Beautiful Boy, música que John Lennon compôs para o filho Sean, há um verso em que ele diz que a “vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. Talvez se ainda estivesse vivo nos dias de hoje, Lennon diria que a vida é o que acontece enquanto estamos ocupados compartilhando. Pois é, a existência é feita de muito mais coisas do que somente aquilo que podemos compartilhar online.

Ainda assim, há até quem finja experiências apenas para ter o que compartilhar e, desta forma, se sentir vivo. E tem vários “serviços” que exploram isso, como um site que “aluga” namoradas, ficantes e afins para o seu perfil no Facebook. Tem, também, o caso do fotógrafo japonês Keisuke Jinushi, que ensina como criar uma namorada fake em fotos para as redes sociais.

romantic-selfie3
romantic-selfie4

Caso você esteja curioso, um texto no site Oddity Central descreve o passo a passo de Keisuke para conseguir o efeito desejado nas imagens. A começar pela maquiagem: ele aplica bastante base clara na mão direita e esmalte vermelho nas unhas, para conseguir um look mais feminino. Para evitar confusões, ele também coloca um elástico para cabelos no pulso. A “mágica” fica completa com um filtro retrô no Instagram – para o genuíno efeito “girlfriend photo” – e um sorriso bobo, elementos que ajudam a tornar a foto mais verossímil. Nos anos 1980, o filme Namorada de Aluguel mostrou uma ideia parecida, de um cara que queria conquistar o respeito dos colegas e se tornar popular com a ajuda de uma namorada falsa. A diferença é que, pelo menos naquela época, a garota era de verdade.

Da conexão ao isolamento

Sherry Turkle é psicóloga clínica, pesquisadora e professora de estudos sociais da ciência e tecnologia do MIT. Em meados da década de 1990, ela ficou bastante conhecida por defender as oportunidades que a internet oferecia para que as pessoas pudessem explorar suas identidades no livro Life on Screen. A continuidade de suas pesquisas, entretanto, a levou a perceber que as novas tecnologias – emails, redes sociais, Skype e robôs sociáveis – tornaram o controle e a conveniência prioridades, enquanto as expectativas que temos em relação a outros seres humanos – e até com nós mesmos – está cada vez menor.
Em uma palestra no TED, na época do lançamento de Alone Together, Sherry explica que a forma como nos comunicamos hoje em dia, com posts, SMS e afins, servem sim para nos conectar uns aos outros, mas apenas superficialmente. Este tipo de interação é falha se o objetivo é conhecer melhor e entender o outro e, por consequência, compreender a nós mesmos.
 Fonte:http://www.brainstorm9.com.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Homens são de Marte!

 Trecho tirado do livro "Homens são de Marte, mulheres são de Vênus" que explica um pouco da psicologia masculina dentro de um relacionamento

"...As mulheres precisam entender que quando ele está silencioso, ele está dizendo "Eu ainda não sei o que dizer, mas estou pensando nisso". Em vez disso, o que elas escutam é "Eu não estou respondendo a você porque eu não me importo com você e eu vou ignorá-la. O que você me disse não é importante e por esse motivo não estou respondendo".
As mulheres interpretam mal o silêncio de um homem. Dependendo de como está se sentindo naquele dia, ela pode começar a imaginar o pior - "Ele me odeia, ele não me ama, ele está me deixando para sempre". Isso pode, então, acionar seu medo mais profundo, que é "Eu tenho medo de que se ele me rejeitar, então eu jamais serei amada. Eu não mereço ser amada". Quando um homem está em silêncio, é fácil para uma mulher imaginar o pior porque os únicos momentos em que uma mulher ficaria em silêncio seriam quando o que ela tivesse a dizer fosse muito lesivo ou quando ela não quisesse falar com uma pessoa porque não mais confiasse nela. Não é de se admirar que as mulheres fiquem inseguras quando um homem de repente fica calado!

Eles podem sentir que intimidade demais rouba-lhes a força. Eles precisam regular o quanto se aproximam. Quando se aproximam demais de modo a se perder, disparam campainhas de alarme e se põem a caminho da caverna. Como resultado, ficam rejuvenescidos e encontram seu eu amoroso e poderoso de novo.

Fazer um homem se sentir errado por ir para dentro de sua caverna tem o efeito de empurrá-lo de volta, mesmo quando ele quer sair.

Minha esposa, Bonnie, algumas vezes usa essa técnica. Quando vê que estou na minha e caverna, ela vai às compras.

Quando ela estiver aborrecida por sua tendência de isolamento, ele pode desistir da caverna numa tentativa de satisfazê-la. Eis um grande erro. Se ele desistir da caverna (e negar sua verdadeira natureza), se tornará irritadiço, excessivamente sensível, defensivo, fraco, passivo ou intratável.
E para piorar as coisas, não saberá por que se tornou tão antipático.

A maioria das mulheres fica surpresa ao se dar conta de que, mesmo quando um homem ama uma mulher, periodicamente ele precisa se afastar antes de poder se aproximar. Os homens instintivamente sentem esse impulso de se afastarem. Não é uma decisão ou uma escolha. Simplesmente acontece. Não é nem culpa dele nem dela. É um ciclo natural.

As mulheres interpretam mal o afastamento de um homem porque uma mulher geralmente se afasta por razões diferentes. Ela se retrai quando não confia nele para entender seus sentimentos, quando foi machucada e tem medo de ser machucada de novo, ou quando ele fez alguma coisa errada e lhe desapontou. Certamente um homem pode se afastar pelos mesmos motivos, mas ele também se afastará mesmo que ela não tenha feito nada de errado. Ele pode amá-la e confiar nela, e de repente começar a se afastar. Como um elástico esticado, ele vai se distanciar e então voltar por si só.
Um homem se afasta para satisfazer sua necessidade de independência e autonomia.

Quando um homem volta, ele retoma o relacionamento no mesmo grau de intimidade em que estava antes de se esticar para longe. Ele não sente nenhuma necessidade de um período de readaptação.

Se compreendido, esse ciclo masculino de intimidade enriquece o relacionamento, mas como é mal compreendido, ele cria problemas desnecessários.

Se um homem não tiver a oportunidade de se afastar, ele nunca terá a chance de sentir seu forte desejo de estar perto. É essencial que as mulheres entendam que se elas insistirem em intimidade constante ou "correrem atrás" do seu parceiro íntimo masculino quando ele se afastar, então ele ficará quase sempre tentando escapar e se distanciar; ele nunca terá uma chance de sentir seu próprio desejo apaixonado por amor.

Comumente eu ouço a reclamação "Toda vez que quero conversar, ele se afasta. Sinto como se ele não se importasse comigo". Ela conclui erroneamente que ele não quer conversar com ela nunca.
Essa analogia com o elástico explica como um homem pode se preocupar muito com sua parceira, mas de repente se afastar. Quando ele se afasta, não é porque ele não queira conversar. Ao contrário, ele precisa de algum tempo sozinho; tempo para ficar consigo mesmo, para não ser responsável por ninguém mais. É um tempo para cuidar de si mesmo. Quando ele retornar, então estará disponível para conversar.

Até um certo ponto um homem se perde de si mesmo ao entrar em conexão com sua parceira. Sentindo as necessidades, problemas, vontades e emoções dela, ele pode perder contato com seu próprio sentido do eu. Afastar-se permite-lhe restabelecer seus próprios limites e satisfazer sua necessidade de se sentir autônomo.

Do mesmo modo que nós não decidimos ficar com fome, um homem não decide se afastar. É um impulso instintivo. (...) Entendendo esse processo, as mulheres podem começar a interpretar esse afastamento corretamente.

Esse ciclo natural do homem de se afastar pode estar obstruído desde sua infância. Ele pode ter medo de se afastar porque testemunhou a desaprovação de sua mãe ao distanciamento emocional de seu pai.
Tal homem pode nem notar que precisa se afastar. Pode inconscientemente criar discussões para justificar seu afastamento. Esse tipo de homem desenvolve mais o seu lado feminino, mas à custa da repressão de um pouco o seu lado masculino. Ele é um homem sensível – Ele tenta bastante agradar e ser amável, mas perde parte do seu eu masculino no processo. Ele se sente culpado em se afastar, sem saber o que aconteceu, perde seu desejo, poder e paixão; torna-se passivo e excessivamente dependente.

Entender esse ciclo de intimidade masculino é tão importante para um homem quanto para uma mulher. Alguns homens se sentem culpados por terem necessidade de passar algum tempo em suas cavernas ou podem ficar confusos quando começam a se afastar e então, mais tarde, se encolhem de volta. Eles podem erroneamente julgar que alguma coisa está errada com eles. Por isso é importante tanto para homens quanto para mulheres entender esses segredos sobre homens.

Sandra e Larry estavam casados há vinte anos. Sandra queria o divórcio e Larry queria tentar ainda fazer com que o casamento desse certo. Ela disse "Como é que ele pode dizer que quer continuar casado? Ele não me ama. Ele não sente nada. Ele se afasta toda vez que preciso que ele fale. Ele é frio e sem coração. Por vinte anos ele tem contido seus sentimentos. Eu não estou disposta a perdoá-lo. Eu não permanecerei nesse casamento. Eu já estou cansada de tentar fazê-lo se abrir e compartilhar
seus sentimentos e ficar vulnerável". Sandra não sabia como tinha contribuído para o problema deles. Ela pensava que era tudo culpa do seu marido. Julgava que tinha feito de tudo para promover intimidade, conversa e comunicação, e que ele tinha resistido a ela por vinte anos. Depois de ouvir sobre homens e elásticos no seminário, ela caiu em prantos, pedindo perdão para o seu marido. Ela se deu conta de que o problema "dele" era problema "deles", homens.

Numa sessão particular de aconselhamento, Lisa me contou, "Não é mais divertido ficar com ele. Eu tentei de tudo para animá-lo, mas não funciona. Quero que façamos coisas divertidas juntos, como ir a restaurantes, fazer compras, viajar, ir ao teatro, festas, e dançar, mas ele não. Nós nunca fazemos nada. Só assistimos televisão, comemos, dormimos e trabalhamos. Eu tento amá-lo, mas estou com raiva. Ele costumava ser tão charmoso e romântico! Viver com ele agora é como viver com uma lesma.
Não sei o que fazer. Ele simplesmente não arreda pé!" Depois de aprender sobre o ciclo de intimidade masculino - a teoria do elástico - tanto Lisa quanto Jim se deram conta do que tinha acontecido. Eles estavam passando tempo demais juntos. Jim e Lisa precisavam passar mais tempo separados."

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Boa Briga



 Assim começaria uma bela fábula não fossem nossos personagens pessoas comuns como a gente gosta de ver.
 
Mas, na nossa história, baseada em “fatos reais”, podemos afirmar que os dois encontravam-se, de fato, muito apaixonados. E este estado de puro embevecimento, que já durava alguns meses, impedia que quaisquer desgosto e contratempo pudessem alcançá-los naquele maravilhoso espaço que denominavam como paraíso particular.
E assim passaram-se os meses, repletos de dias ensolarados e de noites enluaradas, como deveria ser. Cheios de calor, chuva e frio. E eles permaneceram ali protegidos, naquilo que parecia ser a plena felicidade. Abraçavam-se e beijavam-se com arroubo e sofreguidão, a cada pequeno reencontro. Um mínimo descuido e lá estavam eles entrelaçados, fazendo-se cócegas e rindo sem conseguir parar. Observavam-se como se fosse a primeira vez – a cada vez que se viam. Existia o entusiasmo e o espanto. Sentiam-se, a cada dia, mais próximos, felizes e perfeitamente ajustados à poderosa engrenagem da afeição.
Parecia não haver nenhum problema e nenhuma razão para desassossegos. E assim sobraram silêncios. Cada vez mais largos e abissais.
Quando faltava uma semana para completar o primeiro ano de união, coroado de muitos bons momentos vividos com alegria e puro arrebatamento, João – esse era o nome do homem – chegou em casa mais tarde do que costumava chegar.
Maria – a mulher – estranhou o fato, mas nada indagou. Serviu o jantar mais silenciosamente do que o costume e sentou-se na frente do companheiro sem qualquer palavra pronunciar.
O homem, aparentando um certo cansaço, concentrou-se na refeição e, repassando mentalmente toda a sua agenda do dia seguinte, nada comentou. A mulher, contrafeita, subiu para o quarto e, rapidamente, vestiu sua camisola mais desbotada e rota, deitou-se na cama e dormiu.
Deste dia em diante, sem que ninguém buscasse entender o motivo, todas os contatos entre eles mergulharam no abismo do silêncio fúnebre e, logo depois, na mais absoluta e indisfarçada apatia.
Maria passou a não se importar mais com os atrasos nem com o constante mal-humor de João. Este, por sua vez, também não escondia a falta de vontade de voltar para casa assim como de conversar sobre a vida dos dois. Nunca mais nada foi igual.
O que acontecera para que esta nova e inquietante condição os envolvesse agora? O que faltara ou sobrara? Que pedaço do plano dera errado?
“O que não vimos, não escutamos, não entendemos? O que passou na nossa cara sem que nos déssemos conta do estrago? Quem, afinal, era o culpado?”
No começo tudo era poesia.
Depois veio a agonia.
Ninguém queria tocar na ferida. Aqueles meses de silêncio que se seguiram criaram um espaço, antes desconhecido, que cada um ocupou como podia.
Depois, começaram a brigar praticamente todos os dias.
Primeiro de maneira morna, quase sutil. Pequenas provocações acompanhadas de “não foi isso o que eu disse” ou “você entendeu tudo errado” até que todas as manifestações passaram a ser acompanhadas de muita cólera e, finalmente, de agressões.
Um foi enxergando no outro o seu próprio avesso e chegou o dia em que contemplaram-se, assustados, como se aquela fosse o legítimo e inesperado primeiro encontro.
A estranheza causada por este inédito olhar se misturou, instantaneamente, ao conteúdo do caldeirão carregado de bem servidas porções de raivas contidas,  rancores ocultos, desconfianças mútuas, sentimentos confusos e clandestinos que, sorrateiramente, foram povoando seus sentimentos e humores.
Olharam-se como velhos forasteiros advindos de longínquos e inóspitos lugares. Nada mais tinham para oferecer ao outro. Nenhuma tigela de tolerância, nenhuma lasca de amizade, nenhuma réstia do mísero, e agora intangível, amor.
E, desta forma, separaram-se sem compreender como haviam chegado naquele lugar sombrio.
Porque, certamente, nunca consideraram a possibibilidade de refletir sobre suas diferenças enquanto ainda se amavam.
O casal que não se dispõe a  brigar a boa briga, está fadado a repetir as irrelevantes e tolas discussões cotidianas, que se arrastarão por anos a fio, sem que produzam nada de bom além de amarguras, ressentimentos e enfermidades. Ou, o que é pior: se acomodará experimentando vazios e silêncios em demasia. Neste caso, vale lembrar: quando um não quer os dois, infelizmente, não brigam.
Brigas desnecessárias, porém dolorosas, costumam ser sustentadas pelo temor de enxergar o que se esconde por detrás dos conflitos. Mascaram nossos medos e sobrevivem até o momento em que um (ou ambos) desista de acreditar na possibilidade de se recriar a convivência e decida aparentar publicamente aquilo que não sente e não é. Ou, por outro lado, escolha se separar porque não há mais nada que o prenda de verdade.
Pelo medo de abandonar a ilusão de estabilidade todos saem perdendo a chance de construir uma relação mais íntegra e verdadeira.
Mas, afinal, pode uma briga de casal se tornar um jeito saudável de transformar (para melhor) uma relação?
Por ciência própria e não só por ‘ouvir falar’, com muita convicção, afirmo que sim!

Fonte :http://psicologaheloisalima.com/2013/05/21/a-boa-briga/